Profª Meire é candidata mais bem votada de Alumínio; Conheça a vereadora

A São Roque Dados traz uma conversa exclusiva com a Meire Barbosa, a Profª Meire, reeleita para a Câmara de Alumínio. A vereadora foi a candidata mais votada da cidade, com 539 votos, equivalente a 5,08% de todos os votos no legislativo. Foi também a única que conseguiu reeleição e pelo segundo mandato será a única mulher no poder legislativo da cidade. Além disso, ela é uma das únicas duas mulheres negras eleitas na região. É por isso que Felipe Angiolucci, entrevistou a vereadora reeleita Lucimeire Aparecida de Almeida Barbosa, a Profª Meire, e construiu um perfil da vereadora. Confira:

Trajetória

Ficou claro na conversa que tive com a vereadora Meire que sua trajetória na educação está diretamente ligada à sua carreira na política, do início até hoje. Nascida no Jardim Progresso, Meire fez Letras na Universidade de Sorocaba e se tornou professora de Língua portuguesa e Literatura, função que ela desempenha até hoje, dando aulas na Etec São Roque, Etec de Piedade, nas classes descentralizadas da Etec em Alumínio e Araçariguama e na Escola Estadual “Honorina Rios de Carvalho Mello”, também em Alumínio.
E foi em uma experiência a partir da sala de aula que ela decidiu entrar na política: O ano era 2006, muito antes dos movimentos de igualdade de gênero estarem disseminados com força na sociedade civil. Na época, Meire se deparou com alguns casos de “gravidez na adolescência”, como ela mesmo me descreveu, e resolveu acionar o poder público através do legislativo para um possível projeto de prevenção. Em conversa com um dos vereadores da Câmara Municipal de Alumínio, disse ter sido ironizada e ouvido piadas sobre sua preocupação. “Naquele momento eu percebi que era preciso ter representatividade feminina na Câmara Municipal de Alumínio”. Naquela época todos na câmara da cidade eram homens, e na região havia apenas duas mulheres eleitas: Enedina Gonçalves Rocha, a Enedina do Posto (PTB), em Mairinque e Lili Aymar (PL) em Araçariguama.
Dois anos depois, em 2008, Meire se lançou candidata a vereadora pelo PSB, com o número 40.000. e obteve 204 votos (1,8%), sendo a 18ª mais votada, e encerrou na condição de suplente. Por questões internas, ela muda de partido junto com outras pessoas para o recém criado PSD, e disputa as eleições de 2012, dessa vez obtendo 316 votos (2,64%), a 8ª mais votada da cidade, e a terceira mais votada da coligação. Por 25 votos não foi eleita. Foram eleitos neste ano a Drª Ana Paula (PSD), que viria a disputar as eleições para prefeita em 2016 e 2020, e o Dr. Alexandre (PV), que foi eleito por 3 mandatos seguidos (2008,2012,2016).
Foi somente em 2016, em sua terceira tentativa e segunda pelo PSD, que foi eleita vereadora, já com uma votação expressiva: 520 votos (4,41%). Foi a segunda vereadora mais votada naquele ano, atrás apenas do mesmo Dr. Alexandre (PV), e com praticamente a mesma diferença de votos: 22 votos.
Este ano, 2020, disputou a reeleição, dessa vez de volta ao PSB, e obteve 539 votos (5,08%), sendo a candidata mais votada e a única reeleita na cidade. Quando questionada sobre esses números, Meire diz não se importar: “Uma vez eleita, não importa quantos votos você obteve, cada vereador tem o mesmo valor”. Mas não só a votação expressiva chama atenção, como também os seus gastos de campanha, que diminuíram pela metade. Em 2016 ela gastou R$8.204,30, o que equivale a um custo de R$15,7 por voto, já em 2020 gastou R$4.014,00 equivalente a R$7,4 por voto. Sobre os gastos, ela disse que entre outras coisas, economizou por não usar carros de som e focar na campanha de casa em casa. “Evitei usar carros de som já que muita gente está trabalhando em casa. Eu mesma faço teletrabalho todo dia de manhã”.

Profª Meire em formatura da ETEC São Roque, Turma de Logística, 2017. Arquivo pessoal

Mandato

Além do fato de percorrer as ruas da cidade, Meire atribui como principal motivo para ter sido a mais votada o canal direto que criou com a população através das redes sociais. Hoje a importância das redes já é sabida e utilizada por diversos políticos, mas em 2017 Meire estava entre as pioneiras ao manter sua conta no facebook e seu número de whatsapp aberto para uma comunicação direta.
“Recebo principalmente reclamações sobre os serviços da Sabesp, mas também questões de zeladoria da cidade”. Ela faz questão de deixar claro que não pratica o que chama de assistencialismo barato. “Olha, eu recebo mensagem de famílias que estão sem gás de cozinha em casa, por exemplo. Seria fácil e barato eu comprar gás para algumas famílias e garantir seu voto. Mas eu não faço isso. Eu faço o encaminhamento pelo procedimento correto: Acionar o Desenvolvimento Social, realizar cadastro e receber auxílio até a família sair da situação de vulnerabilidade. Não fui eu quem fez nada, é um direito do munícipe”
Meire ficou famosa também por sua atuação com as denúncias do transporte público que levaram a votação da cassação do prefeito Antonio Piassentini, Bimbão, no começo do ano, mas que foi barrado por decisão judicial. A vereadora foi a responsável pelo pedido de cassação em outubro, mas que só teve votação em janeiro. 
Apesar do processo, ela diz não ter sofrido nenhuma retaliação da prefeitura e que, inclusive, foi convidada assim como os demais vereadores eleitos para o próximo mandato para uma conversa com o prefeito. O encontro não havia ocorrido até o dia da entrevista por motivos de saúde do próprio prefeito, que estava em domicílio. 

Futuro

Questionada sobre o futuro político, ela disse não pensar muito. Seu projeto é continuar trabalhando em seu mandato. Sobre legados, ela espera que sua atuação na educação deixe marcas na cidade “O meu grande orgulho no primeiro mandato foi a vinda da Univesp para a cidade, projeto do vereador Eduardo que atuei em conjunto, e a vinda da classe descentralizada da Etec para Alumínio”. A classe descentralizada é o primeiro passo para uma possível construção de uma unidade da ETEC, segundo a professora. Ela também é uma estudante constante: além de Graduação em Língua Portuguesa, fez especialização na área, pela UNICAMP e pela Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), bem como se graduou em Administração Pública e se especializou em Gestão Pública Municipal, pela Federal de São João del Rey (UFSJ) e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O termo “Professora”, que acompanha seu nome como candidata, não é apenas acessório eleitoral, mas uma escolha de vida.

Acompanhe a São Roque Dados para mais conteúdo sobre as eleições 2020.

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